CBVT – Treino para Aumentar o Volume Muscular

By janeiro 26, 2012Outros, Treinos

CBVT - Treino para Aumentar o Volume Muscular

 

Você pode não acreditar, mas o tamanho das suas fibras/células musculares não é muito menor do que a dos grandes fisiculturistas! O tamanho das fibras musculares tem sido tema de diversas pesquisas ao redor do globo recentemente, principalmente a comparação entre as fibras musculares de atletas profissionais e pessoas normais saudáveis, e o que essas pesquisas dizem é que, apesar de as medidas de indivíduos normais saudáveis serem menores, o tamanho das fibras musculares dos atletas PRO’s não foram tão maiores assim. Sim! Isso quer dizer que você também pode ter um físico muscular!

Outras 2 pesquisas sugerem que o gigantesco tamanho muscular dos Bodybuilders PRO’s é o resultado de uma complexa adaptação química que ocorrem no corpo em resposta ao treinamento de resistência continuo, além da hipertrofia das fibras e dos elementos contráteis de Actina e Miosina2,3

 

As células musculares dos Atletas Profissionais não são tão maiores que as suas!

 

Essa é uma ótima notícia para aqueles denominados “Frangos” no linguajar popular! Afinal, até então você achava que não tinha sido abençoado pelos deuses do Olimpo com a mesma quantidade de fibras musculares que o Sylvester Stallone. Certo? Pois bem, nem tudo são flores! Em muitos casos (combinações de somatotipos), não existem as mesmas matérias primas para a construção de músculos grandes, sólidos e definidos. Sorry! E é aqui que entra essa sigla estranha que você lê no título desse artigo, CBVT.

CBVT é uma sigla em inglês para “Cumulative Blood Volume Training” que consiste em utilizar a própria fisiologia do seu corpo para aprimorar o seu treinamento de modo a tirar o máximo proveito da dinâmica dos seus fluídos corporais (Plasma e Sangue), explorando-os como uma alternativa para aumentar a massa muscular através da volumização Célulo-Muscular. Parece difícil não? Mas é muito simples! Tudo isso quer dizer que você vai utilizar um tipo de treino onde o objetivo é levar a maior quantidade possível de plasma e sangue para dentro dos seus músculos, fazendo com que eles inchem o máximo possível. Você já viu um princípio parecido aqui no MuscleMass no artigo sobre o protocolo de treino FST-7 de Hanny Rambod.

 

CBVT - Treino para Aumentar o Volume Muscular

 

CBVTCumulative Blood Volume Training

Para entender melhor o CBVT precisamos entender melhor alguns processos fisiológicos. Durante um treino intenso com pesos o nosso fluxo saguíneo é encaminhado para o músculo mais exigido durante o movimento afim de mante-lo com energia e nutrientes que o mantenham realizando aquele determinado movimento. Como sabemos nosso sangue é composto por 55% de plasma, e é nesse líquido que encontramos uma grande quantidade de  Cell-Volumizing, ou “volumizadores celulares”, tais como: aminoácidos, creatina, glicose, minerais, eletrólitos, hormônios anabólicos, etc. Pois bem, o objetivo do Cumulative Blood Volume Training (CBVT) é inundar o músculo treinado com a maior quantidade possível de sangue, tanto quanto for possível fisiológicamente para o corpo humano. Adiantamos já que isso vai exigir que você deixe o seu ego na porta da academia e pare por algum tempo de competir “quem levanta mais peso” com seus amigos de ginásio! A única coisa que você deve ter em mente quando treinar o protocolo CBVT é “Preciso enviar para o músculo que estou treinando a maior quantidade possível de sangue e componentes cell-volumizing”. É isso que você vai fazer com CBVT a cada contração muscular que seu cérebro mandar o seu corpo executar. “Ah mas por que?” Por que fazendo isso você vai ampliar e muito o fornecimento de células-hidratantes diretamente dentro do músculo treinado onde elas serão transportadas (em compartimentos minúsculos) as menores porções celulares das suas fibras musculares, produzindo uma hiper-hidratação da musculatura treinada e consequentemente um Pump muito maior e cheio de nutrientes.

 

O objetivo do CBVT é inundar o músculo treinado com a maior quantidade possível de sangue.

 

Para que o Pump seja grande o CBVT precisa de muito mais que 8-10 repetições por série de exercício. É justamente por isso que ele é chamado de “Cumulativo”! Em vez de pensar em cada exercício e cada série individualmente, você vai precisar pensar o treino todo de uma forma mais olistica onde cada exercício, cada série e cada repetição façam com que mais sangue seja bombeado para o músculo treinado acumulando no final do treino uma quantidade enorme de fluído dentro dos músculos alvo. “Ah mas o que isso quer dizer?” Quer dizer que você vai precisar de cerca de 16 a 20 séries para encher os músculos grandes de fluídos e cerca de 12 a 15 série para os pequenos grupos musculares. Só assim você vai lotar completamente a área alvo de sangue, gerando um poderoso sinal anabólico na musculatura.

Qualquer método de treinamento que tem como objetivo principal aumentar o fornecimento de sangue no músculo treinado é uma rotina CBVT. Alias esse tipo de estimulo/treino não é nada novo! Os volumosos treinos dos bodybuilders da era Weider (Arnold Swarchenegger, Franco Columbo, Lou Ferrigno, etc) eram um tipo de treinamento CBVT, assim como o mais recente Top-Workout, o FST-7 de Hany Rambod.

Outro ponto importante que deve ser respeitado nas rotinas CBVT é o descanso. O intervalo entre as séries deve ser de no mínimo 45 segundos e no máximo 1 minuto! Muito tempo de descanso entre as séries pode fazer você perder a efetividade do efeito acumulativo de sangue no músculo e com isso diminuir os efeitos do treino CBVT. O intervalo mais recomendado para o protocolo CBVT é o de 45 segundo, assim você mantém Pump e mantém o fluxo de nutrientes dentro dos músculos irrigando as células musculares.

De acordo com alguns bodybuilders experientes, incorporando técnicas tais como, contrações 04/02 segundos com pico de 10 segundos nas contrações isométricas ajuda a aumentar ainda mais o fluxo de cell-volumizing para dentro dos músculos. Uma vez que o “bloqueio temporário” é parado (fim da contração isométrica), uma grande qunatidade de sangue é requisitada para a área do músculo alvo afim de remover os metabólitos resultantes da contração do músculo. Este método de interromper temporariamente o fluxo de sangue através de contrações isométricas ajuda a criar uma enxurrada poderosa de nutrientes anabólicos para a área-alvo.

 

CBVT - Treino para Aumentar o Volume Muscular

 

Prevenção do Rompimento Excessivo da Sarcolema

Para o sucesso do uso do protocolo de treino CBVT é importantíssimo entender a composição das células musculares. Fibras Musculares, Células Musculares ou Miócitos são os nomes utilizados para denominar as células que constituem os músculos. Essas células podem chegar a 30 cm de comprimento, são preenchidas por feixes longitudinais de Miofibrilha (responsáveis pelas contrações) e possuem uma membrana de extrema importância chamada Sarcolema. Essa membrana é altamente complexa em sua estrutura e tem como objetivo principal controlar o que entra e sai do interior da célula muscular. É a Sarcolema a responsável por determinar as moléculas que vão entrar e sair dos seus Miócitos, por isso, para maximizar o conteúdo intracelular das células musculares, é crucial manter a integridade estrutural da Sarcolema. “Ah mas por que?” Por que quando a integridade estrutural do sarcolema é comprometida, o conteúdo celular pode vazar para fora da célula muscular e, potencialmente, reduzir o volume muscular geral. Por isso, ao utilizar qualquer tipo de treino CBVT (que aumentam o volume das células musculares) você deve tomar alguns cuidados para evitar o rompimento da Sarcolema das células do músculo treinado.

“E como eu evito que essa catástrofe aconteça?” Algumas pesquisas recentes descobriram que detonar nas contrações excêntricas (momento do movimento em que você alonga o músculo) resulta em uma maior quantidade de danos miofibrilares. Ai você pensa, “Que ótimo! esse é o princípio da hipertrofia muscular!” Sim, mas, porém, contudo, no entanto, todavia, em excesso este mesmo dano miofibrilar microscópico causado pelas contrações excêntricas podem romper a tão importante Sarcolema. Sabe aqueles treinos do Arnold, Franco e Lou que você vê no youtube (clique aqui para ver) e fica indignado por que ele não segura a fase negativa do movimento? Isso não era displicência da parte dele, era uma maneira de evitar que a Sarcolema estourasse! Por isso, a chave é o equilíbrio quando se trata de treinamentos com base no protocolo CBVT. Importante também! Caso você venha a incorporar o protocolo CBVT em suas rotinas e perceba que não está tendo resultados satisfatórios é hora de mudar de treino.

Para obter melhores resultados com o treinamento CBVT e minimizar o infortunio de romper suas membranas celulares, movimente os pesos controladamente, mantendo a tensão no músculo durante todo o movimento e utilizando velocidade 1, ou 2, segundos para o movimento concêntrico e 1 segundo para o excêntrico. As repetições devem ficar entre 12 e 15 para maximizar o fluxo de sangue e a entrada de nutrientes nos músculos.

 

Supercompensação de Glicogênio

As células musculares têm uma grande capacidade de armazenamento de glicogênio, o que propicia aos músculos energia disponível para abastecer sessões de treinos intensos como o CBVT. Quando os níveis de glicogênio intra-muscular estão perto de se esgotar, a densidade muscular está em seu máximo e os músculos estão mais rígidos e inchados. Isto acontece em parte devido ao plasma sanguíneo que inundou as células musculares com nutrientes e glicogênio na proporção 3:1.

Quando os níveis de glicogênio muscular estão acima dos níveis descritos acima, a supercompensação de glicogênio é alcançada. Pesquisadores determinaram que a supercompensação de glicogênio pode ser obtidas com 3 dias de treino com baixa ingestão de carboidratos, seguida por 3 dias de descanso e alta ingestão de carboidratos. A segunda maneira de atingi uma superconpensação de glicogênio nos músculos é enfatizar apenas as contrações concêntricas do movimento (quando você sobe o peso), que não interferem na atividade da síntese de glicogênio e nem nos receptores GLUT-4 , dois componentes necessários para uma síntese ideal de glicogênio intra-muscular. Esse processo de supercompensação de glicogênio ainda pode ser reforçado pela ingestão de uma grande quantidade de carboidratos de alto índice glicêmico no período pós-treino (grande mesmo, acima de 60g), quando as células musculares estão mais preparadas para o influxo de glicose acompanhas por um grande pico de insulina.

 

CBVT Aplicado ao Treino

Para ajudar a colocar o protocolo CBVT em um plano de ação, fizemos uma rotina de exemplo para o músculo peitoral, que se concentra em e maximizar o volume das células musculares.

 
CBVT - Sistema para Aumentar o Volume Muscular
 

Conclusão

O protocolo de treino CBVT não é indicado para iniciantes! Se sua musculatura não estiver preparada para aguentar a intensidade do treino e o Pump muito maior do que o normal, você pode ter uma lesão no músculo, ou não obterá resultado algum e sairá falando por ai que não funciona. Outro ponto importante é a hidratação e alimentação. Sem muita água e os nutrientes certos no organismo você não obterá os resultados prometidos no artigo e pior, pode entrar em overtraining, Lembre-se! Músculo também é matriz energética! E ele vai se desfazer que nem castelo de areia na chuva se você não estiver extremamente preparado para treinar com o protocolo CBVT. Qualquer dúvida mandem um mail para nossa equipe!

MUSCLEMASS.COM.BR
#TRAINHARD #NOEXCUSES

 
Referências:

1. MacDougall, J.D., Sale, D.G. J.R. Moroz, G.C.B. Elder, J.r. Sutton, and H.Howard. (1982). Muscle ultra-structural characteristics of lite power-lifters and bodybuilders. Eur. Journal of Applied Physiol. 48:117-126.
2. Goforth H.W., et al. (1997). Persistence of supercompensated muscle glycogen in trained subjects after carbohydrate loading. Journal of Applied Physiol. Vol. 82. (1) 342-347.
3. Yamada, S., Buffinger, N. Dimario, J. and Strohman, R. C. (1989). Fibroblast growth factor is stored in fiber extracellular matrix and plays a role in regulating muscle hypertrophy. Med. Sci. Sports Exerc. 21(5): S173-S180.
4. Morgan, D.L. and Allen, D.G. (1999). Early events in stretch-induced muscle damage. Journal of Applied Physiol. 87: 2007-20015.
5. Clarkson P.M, Tremblay I. (1998). Exercise-induced muscle damage, repair and adaptation in humans. Journal of Applied Physiol. Vol 65, (1) 1-6.
6. Hortobagyi, T., et al. (1998). Normal forces and myofibrillar disruption after repeated eccentric exercise. Journal of Applied Physiol. (84): 492-498.

 

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