Leucina

A leucina é um dos aminoácidos codificados pelo código genético, sendo portanto um dos componentes das proteínas dos seres vivos. O seu nome é de origem grega, do termo “leukos”, que significa branco.

A leucina, como a isoleucina e a valina, é um aminoácido hidrofóbico encontrado como elemento estrutural no interior de proteínas e enzimas. Não parece haver nenhuma outra função metabólica para estes amino-ácidos, mas eles são essenciais pelo fato de não serem sintetizados em organismos de mamíferos, precisando ser consumidos na dieta. A leucina empata com a glicina na posição de segundo aminoácido mais comum em proteínas e enzimas.

A leucina representa cerca de 8% dos aminoácidos das proteínas do nosso organismo. Alimentos como leite e o milho são ricos em leucina.

A leucina é um dos 20 aminoácidos que as células do corpo humano utilizam para sintetizar proteínas, porém o mesmo não o produz. Desempenha funções importantes no aumento das proteínas e actua com fonte de energia durante os exercícios físicos, aumentando a resistência e reduzindo a fadiga. É integrante da cadeia ramificada, juntamente com a isoleucina e a valina, é encontrado de maneira abundante em carnes e leguminosas (soja e feijão), com uma concentração média de 1g/100g e de 3g/100g, respectivamente.

 

Leucina e o mTOR

O mTOR (mammalian Target of Rapamycin), proteína pertencente à família das fosfoinositidas (PI), exerce funções essenciais na fisiologia celular, regulando inúmeros processos vitais envolvidos na síntese de proteínas. O mTOR é ativado por diversos estímulos incluindo insulina, fatores de crescimento e nutrientes. Aa’s modulam positivamente o mTOR, sendo que a leucina é o aa mais eficiente na ativação do mTOR, na maioria das células.

A deficiência de nutrientes ou de energia modula negativamente mTOR. A falta de leucina causa, por exemplo, uma rápida inativação da sinalização de mTOR, sendo que nesta situação ocorre uma incapacidade da ativação por meio de fatores extracelulares, como a insulina. Baixos níveis celulares de ATP também modulam negativamente a sinalização do mTOR.

A insulina parece ser inefetiva na estimulação de síntese protéica enquanto a disponibilidade de aa’s estiver baixa, independente da dose de insulina. Cabe ressaltar que a administração oral de leucina produz ligeiro e transitório aumento na concentração de insulina sérica, fato este que age também de modo permissivo para a estimulação da síntese protéica induzida por este aminoácido.

 

Leucina e Leptina

A leucina tem forte ligação com um hormônio chamado leptina, responsável pela sensação de saciedade do organismo e pelo controle da queima de gordura corporal. A secreção deste hormônio é regulada através da tradução do mRNA pelo mTOR e seu agonista, a leucina.

 

Suplementação

Já foi reportado que a suplementação com leucina é bastante segura, pois apresenta valor calórico mínimo, não estimula gliconeogênese e também não aumenta a taxa de filtração glomerular, como acontece, por exemplo, com a alanina. A ingestão de leucina aumenta a síntese de proteínas no organismo, contribuindo para o ganho de massa muscular magra e para evitar a perda de massa magra (catabolimso). Além disso, a suplementação com leucina pode ser utilizada como terapia coadjuvante no tratamento da obesidade, acentuando o metabolismo e estimulando a produção de leptina.

Portanto, a leucina não deveria ser vista simplesmente como um constituinte de proteínas, mas como um sinalizador na regulação de diversas funções celulares.

 

Referências

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